Sagrado Coração da Terra - Discografia


Formado em 1979 por Marcus Viana num trabalho de fusão da música vocal e instrumental com raízes no rock e na música erudita, o Sagrado vem se firmando no Brasil e no exterior como o mais expressivo trabalho de música progressiva da América Latina.

O Sagrado apresenta uma música que une o rock à força dos ritmos tribais ameríndios e à beleza e sofisticação do erudito. Os textos falam de nosso violento e primitivo ciclo histórico e do advento de uma nova era para a humanidade abordando questões ecológicas e espirituais.

Marcus Viana, autor das letras e músicas do grupo, tornou-se conhecido do grande público pelas inúmeras aberturas e trilhas sonoras para televisão como "Pantanal", "Chiquinha Gonzaga", "Xica da Silva", "Ana Raio e Zé Trovão", "Serras Azuis", "Terra Nostra", "Aquarela do Brasil", "A Casa das Sete Mulheres" e "O Clone".


O SIGNIFICADO CULTURAL DO TRABALHODO SAGRADO CORAÇÃO DA TERRA

Trabalhando com instrumentos eletro-acústicos e herdeiro de uma forte tradição erudita, a música do Sagrado Coração da Terra evoca a atmosfera barroca das montanhas de Minas.

Mesmo assim seria impossível enquadrá-la como regional. É uma viagem pelo tempo e pelo espaço às origens e ao futuro de toda experiência musical humana.

Os instrumentos são os usados na tradição clássica: a guitarra, o piano e o violino, porém tratados eletronicamente; uma nova linguagem, o som dos nossos tempos.

O efeito que uma orquestra causava numa platéia do século XIX não nos atinge da mesma maneira: nossa audição está duramente comprometida pela saturação dos decibéis das grandes cidades.

Por isso, utilizamos uma roupagem eletrônica nas músicas. Elas são a fusão de toda experiência do eu inconsciente, guardada na memória do espírito: são lembranças orientais, ciganas, indianas e árabes. E ibéricas! Como negar? O Sagrado teve naturalmente a influência de mestres clássicos devido à formação erudita de Marcus Viana como violinista de sinfônica; principalmente da música de Wagner, Debussy, Ravel, Stravinsky e Villa-Lobos. Existe uma forte raiz afro-ameríndia que se manifesta cada vez mais em nosso trabalho, inclusive com a inserção de músicas com textos traduzidos inteiramente para o Tupi-Guarani e dialetos indígenas como o krenak e yanomame.

Nossa proposta é uma ponte entre a música instrumental e a música vocal; assim sendo, são canções orquestradas, sinfonias cantadas, histórias contadas.

Da mesma forma que os textos, a música está ligada a uma filosofia ecológica: Ecologia da Terra, Ecologia da Mente, do Coração e do Corpo.

O Sagrado Coração da Terra é mais que um projeto; é quase que um movimento filosófico, englobando mensagens visuais, gráficas e sonoras, cujo tema básico é a regeneração do Homem e do Planeta.


POR QUE SAGRADO CORAÇÃO?

 De um tema folclórico mineiro, de uma tradição religiosa muito antiga, vem o arquétipo do Sagrado Coração: um fulgurante coração em chamas envolvido em uma coroa de espinhos. O íntimo “real” do homem encarcerado pela fúria de nossos tempos. Um retrato do amor em nossa época: um coração que brilha ainda que ferido e aprisionado nas celas das megalópoles. Uma vida que nenhuma coroa de espinhos vai sufocar, um amor que opressão alguma impedirá que se alastre como uma fogueira e incendeie a fria noite de nossos tempos. Épico e Intenso!

Cantamos a alegria e o amor da tão sonhada Era de Aquário. Não enxergamos com muita clareza, naturalmente; ainda não é exatamente a manhã do sol de Aquário. Seria antes aquela hora crepuscular, entre a noite e o dia que os romanos chamavam Silencium, a hora dos mortos e dos nascimentos. É a hora do despertar.

O homem de nossos tempos desenvolveu sua parte técnica, intelectual e esqueceu-se de sua parte ética, espiritual. O que temos? O macaco-gênio o primata vestido de astronauta brincando com sofisticadas máquinas de destruição; arrasando o planeta, destruindo a própria espécie, poluindo a água, envenenando o alimento e o ar. Essa é a coroa de espinhos do coração. Não estamos preparados para as megalópoles, mas aqui estão elas. Brutalmente reais. O egoísmo é a mola desse salto no abismo, do qual participamos, apesar de gritarmos que somos inocentes. Como pois fazer música por padrões regionalistas, indiferente à tremenda pressão das transformações do Todo? E como sentir a verdadeira música se o espírito está insensibilizado pela dor e pelo ódio do cotidiano urbano?

Nosso comprometimento único é com a Arte, pura e simplesmente. E por Arte, queremos dizer Ciência, Espírito, Consciência, Compreensão. Nossa meta: a precisão em transmitir a consciência viva do universo codificada em mensagem sonora. A música age como a mais poderosa energia moderadora do sistema nervoso humano. Viver e transmitir a música torna-se mais que necessidade; é uma responsabilidade numa civilização que vive um processo vertical de auto aniquilamento. Para iniciar o processo ascencional torna-se necessário apurar os sentidos; temperar o aço da mente; forjar o espírito para que se possa receber e assimilar uma nova energia que se faz cada vez mais presente à medida que nosso mundo naufraga. Inteligência naturais, criadoras e infinitamente poderosas se manifestam nos sistemas nervosos mais avançados. A música abre um canal de saída para o oceano de harmonia e vida do universo. Esse canal não pode ser atingido por nenhuma forma de pensamento ou raciocínio, mas a intuição conhece o caminho. A Arte alimenta a intuição; ocorrendo essa sensibilização, a energia mental gradativamente circula livre pelo novos circuitos do sistema nervoso, até então desconhecidos, e que por serem parte da consciência cósmica coletiva e genética, contém informações de inteligências superiores.

O Arquétipo do Sagrado Coração assim se manifestou e viemos a entender a coroa de espinhos como o próprio processo dual da natureza. Numa visão primitiva seria o Bem e o Mal, Deus e o Diabo, o Ódio e o Amor, a Ignorância e o Conhecimento. Porém ao mergulhar mais fundo, além do apêgo às formas racionais, vimos o Tudo e o Nada; a Eletricidade e o Magnetismo, o Positivo e o Negativo, o Yang e o Ying, a Noite e o Dia, o Homem e a Mulher, o Pai, a Mãe. E no centro, o fruto do Amor das duas forças entrelaçadas do universo: o filho, a força neutra, a criação. O Coração. (Texto: Site Oficial)




Discografia
 

Sagrado (1985)
01. Asas
02. Lições da História
03. Arte do Sol
04. A Glória das Manhãs
05. Feliz
06. Deus Dançarino
07. Memória das Selvas
08. Corpo Veleiro
09. Sagrado
10. A Vida é Terna


Flecha (1987)
01. Flecha
02. Manhã dos 33
03. Paz
04. Seres Humanos
05. Carinhos Quentes
06. Tocatta
07. Cosmos X Caos
08. O Futuro da Terra


Farol da Liberdade (1991)
01. Dança das Fadas
02. Solidariedade
03. Amor Selvagem
04. Pantanal
05. Olívia
06. Farol da Liberdade
07. Raio e Trovão
08. The Central Sun of the Universe 


Grande Espírito (1994)
01. Kian
02. Libertas
03. Human Beans
04. Eldorado
05. Grande Espírito
06. Sweet Water
07. Rapsódia Cigana
08. País dos Sonhos Verdes


A Leste do Sol, Oeste da Lua (2000)
01. A Leste do Sol, Oeste da Lua
02. Ovniana
03. Madame Butterfly
04. Canção dos Viajantes
05. Allegro
06. Clair de Lune
07. Lágrimas da Mãe do Mundo
08. Serras Azuis
09. Amigos
10. Firecircle
11. Maya
12. Planeta Minas
13. Bem-Aventurados
14. Anima Mundi
15. Terra


Sacred Heart of Earth (2001)
01. 2001 - Also Sprach Padim Cisso
02. East of the Sun, West of the Moon
03. Travelling Show
04. The Green God of the Woods
05. The Gates of Heaven
06. Sweetwater
07. Firecircle
08. Sagrado
09. Human Beans
10. Carpe Diem
11. Gipsy Rapsody
12. Maya
13. Urban Ragas
14. The Central Sun of the Universe


Coletânea II - Instrumental (2002)
01. Planeta Minas
02. Deus Dançarino
03. País dos Sonhos Verdes
04. Amigos
05. Tocatta
06. Human Beans
07. O Futuro da Terra
08. Sagrado
09. Solidariedade
10. A Glória das Manhãs
11. Rapsódia Cigana
12. 2001 - Also Sprach Padim Cisso

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